sábado, 20 de fevereiro de 2010
Novo
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
"Meu pequeno grande coração"
“- Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
- Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato”
Então, ao contrário de tudo que eu já fiz na minha vida, sempre exagerado e sempre estrondoso e sempre brilhante, a minha saída vai ser pelo canto do palco, sutil e bem quieta, imperceptível pra qualquer olhar que esteja deslumbrado com algum outro ponto bonito do cenário, como é a maioria dos olhares da minha geração. Como um elefante que vai morrer solitário eu me afasto também da minha manada, mas não para morrer – pelo contrário, muito pelo contrário, eu me afasto pra poder nascer, renascer em mim e em todos os meus defeitos. Me entender. E pra que esse processo se complete, é essencial que eu mude de lugar, que eu esteja um pouco longe. Não é egoísmo meu, nem nunca foi, porque no meu coração cabe o mundo e cabe tudo que eu já vivi; mas é que o amor ultimamente tem se escondido em algum lugar de mim que eu ainda não toquei, e desconfio mesmo que essr seja um pedido desesperado do meu corpo para que eu me conheça melhor. É essa minha meta, me procurar e me conhecer – e sendo esse meu único referencial, não há como se perder, todo caminho é caminho quando não nos prendemos a necessidade de chegar a um lugar exato.
E sobre o que eu deixei? Não quero vingança, já que o que mais me prejudicou esses anos todos foi meu próprio jeito de querer abraçar tudo ao mesmo tempo, mas foi dando passos maiores que a perna que eu vivi muita coisa inesquecível. A saudade vai dormir comigo por muito tempo, e isso me mata de medo, mas o medo sempre foi uma espécie de combustível alternativo para mim. Espero também que a minha forma de viver tenha inspirado alguém, que o meu hino de não ter vergonha tenha encorajado alguma pessoa a ser ela mesma. No entanto, se eu pudesse pedir uma coisa antes de ir embora, qualquer coisa, eu pediria para ser uma espécie de amuleto, e que então toda pessoa que já me tocou ou que venha a me tocar tenha sorte, muita sorte.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Menina das Histórias
Mentiras
Eu gosto de você
Eu gosto de você, eu realmente gosto. Não gosto do seu jeito, não gosto do seu temperamento, não gosto do seu corpo, mas gosto de um jeito que nem eu entendo do seu conjunto, de você por inteiro... A verdade é que não vivi o suficiente pra dizer que te amo, e então eu sei que não te amo. Mas a questão é que eu não te amo porque eu e você, nossa história, nós – isso tudo está muito pela metade. Tudo o que temos são mil coisas em comum e um milhão de coisas definitivamente NÃO em comum, muitas palavras mas poucas conversas e UM, apenas UM dia de contato. O que eu quero dizer com isso é que em potencial eu poderia estar loucamente apaixonado por você... mas para isso eu preciso que você me deixe entrar na sua vida, eu preciso que você também precise de mim – preciso que a gente pare de discutir tanto... parar também de dizer tantas baboseiras no estilo ‘eu te amo’ e começar, só pra variar, a demonstrar isso! Tipo, não é tão difícil assim, deixar se pertencer a alguém. E por mais que às vezes pareça que eu estou querendo te afastar, ou te usar (o que é pior ainda), a verdade é que eu estou me aferrando a você desesperadamente... for real. Um beijo sempre significa alguma coisa, certo?
terça-feira, 21 de julho de 2009
Dezessete
Sempre chega um ponto em que nós vamos olhar pra nós mesmos, para os nossos “relacionamentos” (e até mesmo para aqueles sem as aspas), nossa trajetória e, ao invés daquela respiração tranqüila de quem se orgulha do que fez, vem aquele aperto no estômago que quer dizer claramente: “VOCÊ TEM FEITO MERDA!”. Não é uma sensação nada boa e, acredite, se você ainda não passou por isso, calma, não demora e esse mal-estar vem... Digo isso porque nós somos jovens e é a nossa cara fazer besteira. Pra ser sincero, se eu olhar pra trás, analisar cada pedaço do que eu passei separadamente e superficialmente, minha estrada vai ser bem parecida com a de um milhão de adolescentes “drama-queen” que desfilam por aí com um cigarro na mão e aquele ar de ‘sou tão mais cool do que você’. A questão é que eu terminei por não suportar esse tipo de pessoa, e de fato esse é o estilo que eu passei a abominar para mim, e se eu me importasse mais com o que as pessoas pensam faria de tudo para que elas não me colocassem nessa categoria. Pra eu entender o que me aconteceu e achar um sentido nisso eu preciso olhar mais fundo do que apenas quem eram os meus amigos de rolê ou quais as bandas que eu curtia... eu preciso olhar pra dentro e perceber o que mudou em mim através desses anos. Qualquer um dos meus amigos que já me conhecem há algum tempo podem confirmar isso com a maior certeza do mundo – eu mudei. E se a mudança é mesmo necessária, inevitável, não adianta em nada tentar definir se mudei pra melhor ou pra pior, mudei apenas. Mudei minha maneira de pensar – não, DESENVOLVI uma maneira minha de pensar, e disso é que eu não abro mão. Tenho uma bandeira. E eu consigo destacar muito bem o que culminou nesse meu despertar – o contato. Contato com pessoas diferentes, isso abriu minha cabeça e foi o mais essencial que me aconteceu. Quando se abre mão do medo de se deixar aproximar, os resultados a longo prazo são incríveis... porque uma vez o tempo tendo cicatrizado aquilo que ainda estava aberto, fica o aprendizado, e esse é o que torna uma vida interessante. Resta agora é colocar esse aprendizado em prática, e aí mora minha maiooooooor dificuldade. O que eu posso dizer é que isso – tudo – tem bem mais haver comigo do que eu pensava. Na verdade é uma coisa que acontece muito, nós nos subestimamos, procuramos em outras pessoas aquilo que nem nos demos ao trabalho de tentar encontrar em nós mesmos – e isso sim é um absurdo, menosprezar o nosso papel na nossa própria vida... e a nossa busca por sanar nossas vontades em outras pessoas é tão alienada que o ‘estar sozinho’ se torna insuportável. Menosprezamos a meditação, menosprezamos a masturbação (o sexo em seu nível mais íntimo), menosprezamos o sono e focalizamos toda a nossa energia em estarmos lindos e maravilhosos para quando nossa ‘alma-gêmea’ chegar ela, pra variar, resolver ficar por um tempo e nos trazer a paz de espírito que precisamos... só de ler esse último pedaço já dá pra perceber o quão patético isso soa. Meu conselho: essa ‘paz’ é um fenômeno muito mais interno do que externo, acredite.